Foi doloroso durante muitos dias...a dor passou mas o remoer da situação ficou. O sentimento de tristeza e de arrependimento de não ter feito mais, de não vos ter dado a merecida despedida permanece.
O meu dia-a-dia atribulado não me deixou ter espaço e tempo para vos ver e recordar uma última vez...eu não sabia que seria a última oportunidade que iria ter de vos ter por momentos ao pé de mim....apenas não sabia, caí na minha ingenuidade e pensamento de que iria ter tempo para vos dar esse carinho, a honra da minha visita.
A primeira vez eu já esperava. Tomei uma opção consciente de que seria melhor assim, recordar-te cheio de vida e boa disposição que contagiava quem estava em teu redor. Fiquei triste...sim, mas nada mais podiamos fazer por ti.
Da segunda vez, foi um choque. Sabia que havia uma doença, que houve uma cura, mas não soube da tua estranha e repentina recaída. Tive para a ir ver 3 ou 4 vezes...oportunidades desperdiçadas por causa da miserável vida stressante e trabalhosa. Sempre que a via na rua lembrava-me que sou exactamente assim, semrpe de um lado para o outro, com energia e vivacidade, a querer absorver cada pessoa, cada lugar, cada momento..Agradecerei sempre a segunda avó que foste para mim mas especialmente para a minha irmã. Lamento-me muito por não ter tido a noção do que se passava, do distante que esta realidade estava de mim...sofri mas fui-me erguendo.
Da terceira vez....não aguentei. Foste quem mais viveu, quem mais me viu crescer, quem mais me fez sorir com as minhas próprias batotices no jogo da moeda. Eras meigo comigo, mas com todos os outros tinhas alguma maldade para com eles, nunca percebi porquê, fazia parte de ti. Fui sempre a tua eleita, quem mais veneras-te, com quem mais momentos partilhas-te da tua eterna história de vida que não hei-de esquecer. Apesar de em tempos finais nos vermos muito poucas vezes, a verdade é que só te lembravas de mim...todos os outros eram meros desconhecidos, conhecidos por vezes sem grande significado..a mim sempre me identificas-te como alguém importante para ti e de quem te lembravas regularmente como tua companheira dos tempos vagos. Devia ter ido despedir-me de ti. Não me perdoou por isso e custa-me muito aceitar...porque ainda não aceitei ou sequer consegui entrar na realidade que já cá não estás. Consigo ainda ver-te à minha frente sentado na poltrona castanha já gasta da sala...a caixa de costura ao lado para te ajudar a colocar as linhas nas agulhas...foram tantos os momentos...tantos..
